Opinião – JOSELITO MÜLLER, O HUMOR CONTRA A BURRICE


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* Por Gustavo Marques¹

1 – Gustavo Marques é diplomata e historiador, autor d’O Livro Negro do Comunismo no Brasil

Fiz questão de estar presente ao lançamento do livro de meu amigo Joselito Müller, o jornalista mais destemido das galáxias, “Tarde Demais Para Pedir Bom Senso: A Nova Era segundo Joselito Müller”, pela Record (a editora, não o canal do “bispo”). Foi uma experiência única, transcendental. O burburinho nas redondezas da livraria, com a Paulista fechada nos dois sentidos pela polícia, só rivalizava com as filas quilométricas para comprar pipoca e cerveja e com os malabarismos das dançarinas tailandesas. Na fila do gargarejo, figuras de proa da política nacional e internacional, além de empresários de escol e celebridades da TV e do cinema adulto, disputavam à tapa o privilégio de um autógrafo e uma foto ao lado do renomado autor. Ao final da noite memorável, juro que vi dois senhores saindo na mão para conseguir um exemplar autografado (um deles, tenho quase certeza, era o Rodrigo Janot).

Tanto entusiasmo se explica. O livro de Joselito – finalmente, fora do mundo virtual que o consagrou com o blog de notícias/piadas mais hilário da internet – é um tapa na cara da burrice, um soco no estômago da ignorância, um chute nas nádegas da boçalidade, uma voadora no plexo da babaquice.

No estilo cáustico e mordaz de Sérgio Porto, Millôr Fernandes e Mendes Fradique, Joselito presenteia o leitor com uma série de crônicas, deliciosamente bem escritas, sobre a desonestidade, a mediocridade e a falta de tutano dos que ora governam (sic) o país. Ninguém escapa, a começar pelo personagem caricatural que uma onda de insanidade e infantilismo, associada à lambança que os petistas fizeram, elevou do submundo da política à condição de supremo mandatário da nação. Seus ministros, filhotes e aspones – todos estão sujeitos à chibata mortal e ao látego inclemente de Joselito.

Seguindo à risca a máxima latina – “ridendo castigat mores” (tradução: “tem que mangar da cara dos manés mesmo”) –, o rei do jornalismo-zoeira Joselito escreveu o que pode ser considerado, sem exagero, o novo Febeapá, o Festival de Besteiras Que Assola o País, que de certa forma complementa o livro de Stanislaw Ponte Preta de 50 anos atrás. Trata-se de um compêndio da idiotice política, feito com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, como diria Machado. Ao longo de 160 páginas, vemos um desfile de tipos incultos, figuras bizarras e ridículas, mais apropriadas a um circo (de horrores) ou a um hospício do que aos altos cargos que (desgraçadamente) ocupam. Histórias que, de tão absurdas, são absolutamente verossímeis, tal como somente sabem fazer os bons satiristas.

Leitura leve e agradável, sem ser superficial; sarcástico, sem incorrer em olavismos debiloides, a obra de mestre Joselito – que já foi chamado por um apresentador de televisão, erroneamente, de “humorista de direita” – comprova definitivamente que o humor é o maior antídoto ao fanatismo e o maior inimigo de todos os autoritarismos. E é uma expressão da inteligência.

Com suas sátiras impiedosas, que desafiam os limites do politicamente correto – o maior flagelo que acomete a humanidade desde as dez pragas do Egito –, algo comum tanto à esquerda quanto à “direita”, Joselito desnuda a estupidez, o oportunismo e a cretinice de ambos os extremos ideológicos, revelando toda a imbecilidade do atual fla-flu político, mais calcado em personalismos e messianismos idiotas (com o perdão da redundância) do que em ideologias (o que já seria algo ruim).

Joselito será atacado, sem dúvida, como já o foi no passado. Para lulistas, esquerdistas e mortadeleiros em geral, ele é um direitista hidrófobo, um cão raivoso a serviço das multinacionais, do imperialismo e da CIA. Já os bolsominions, igualmente curtos de inteligência, provavelmente o chamarão, depois do livro, de comunista, esquerdista, agente da KGB, inclusive de “isentão” – rótulo que inventaram para tentar desqualificar quem, entre dois totalitarismos, prefere a liberdade (e o riso). Dirão até que ele “se vendeu para o sistema” – usando o mesmo linguajar abestalhado da sinistra mais sinistra. Quem pensa assim acredita que as piadas de Joselito são fatos reais. O humor, ao contrário da parvoíce, não tem ideologia.

Com o mesmo destemor e impetuosidade com que enfrentou, de peito aberto, petistas, sindicalistas, feministas e talebãs, Joselito expõe a ridicularia dos ídolos dos milicianos virtuais da atualidade, muitos deles ex-petistas que trocaram de lado (mas não de caráter). Joselito, o jornalista destemido, está aí para desafiá-los para um duelo ao pôr do sol. Diferente de seus detratores, ele não tem político de estimação. Vários processos movidos contra ele (e por ele vencidos) atestam esse fato.

Portanto, é bom avisar: se você é do tipo que carrega político nos ombros, faz dancinha ou sai por aí berrando slogans ou marchando para “mitos” – ou seja, se você bate palma pra maluco dançar –, é melhor nem abrir o livro de Joselito. Fuja dele. Esconda-se. Você não vai gostar de se ver retratado. Mais: você merece ser zoado.

Destoando do título do livro, e apesar dos lulas e bolsonaros da vida, ainda é possível pedir bom-senso. Um bom caminho para tanto é ler os textos de Joselito Müller.

Salve, mestre Joselito! Os que vão rir te saúdam!

  • Leia Tarde demais para pedir bom senso. Clica AQUI.

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