“O monopólio da virtude” ou “Onde quem não é Zé Ruela não tem vez”



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#SeminarioDeZuerologia – O método é simples: você apresenta alguma crítica – ainda que secundária e sem importância – e não tardam a insinuar que tua opinião, na verdade, dissimula interesses escusos.

É como se um certo segmento detivesse o monopólio da virtude e toda e qualquer divergência só pudesse ser motivada por escrotidão dissimulada, ou burrice.

Daí, a repetição ad nauseam, de frases feitas, tipo “não sei se você é burro ou desonesto”, dando a entender que toda e qualquer inteligência ou honestidade levasse, inevitavelmente a concordar, muitas vezes irracionalmente, com eles.

Já viram esse filme?

Estão vendo a reprise?

Eu também.

O sujeito que utiliza tal expediente geralmente acredita piamente que está no meio de uma guerra, e enxerga qualquer manifestação típica de uma democracia (como, por exemplo, criticar o governo), como uma tentativa de sabotá-lo, de desestabilizá-lo, de ferir a democracia.

É como se fosse imperativo categórico de um regime democrático o consenso bovino, cenário no qual se justificaria até mesmo tipificar no Código Penal o “crimidéia”, se antecipando às ações que eventualmente pudessem colocar em risco “a vontade do povo” (Narodnaia Volia).

Em tal conjuntura, a vigilância se torna constante, e todos contra todos, tendem a ficar atentos para os mais discretos sinais de dissidência.

Você está esquerdando”, dizem alguns, como um tiro de advertência, anunciando, nas entrelinhas que caso novos sinais sejam repetidos mais à frente, a denúncia da traição já estará pronta, no bolso do colete, pronta para ser sacada.

Concordar com tudo passa a ser sinônimo de virtude e coragem, quando, na verdade, esse reino de adulação só foi possível ser erguido sobre o alicerce da covardia daqueles que, eventualmente querendo divergir de algo, se calam temendo as reações.

Ser independente, pensar por si mesmo, ser “Isentão”, enfim, – arcando com o ônus de sofrer linchamentos – se torna sinônimo de ser covarde, quando a lógica indica justamente o contrário.

É a novilíngua.

Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força e, eu acrescentaria, covardia é coragem.

Neste cenário, quem não é Zé Ruela não tem vez.

* Leia o livro “O Lula tá preso, babaca”, de Joselito Müller.

Livro físico AQUI.

E-book para Kindle AQUI.

2 thoughts on ““O monopólio da virtude” ou “Onde quem não é Zé Ruela não tem vez”

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