Versão simplificada de “A Metamorfose” provoca polêmica no meio literário


Prezados compadres e comadres, em tempos de adaptações simplificadas de Machados e outros mais, resolvi postar a crônica abaixo, outrora assinada com outro pseudônimo, que não vou dizer qual é, pois caso dissesse, ninguém acreditaria.

Leiam, bitte.

Die verwandlung von Kafka

ImagemConfesso, sem constrangimento algum, queridos leitores, que durante muito tempo maldisse a mim mesmo por causa de minha tamanha incultura literária.
Era visível meu desconforto nas rodas de amigos sempre que o assunto era literatura, sobretudo quando tratava-se de um tal Kafka.
Quando alguém citava este nome, inaugurando então empolgadíssimos colóquios, logo eu me tornava circunspecto, ou inventava qualquer pretexto para evadir-me.
Esse comportamento se dava pelo fato de eu simplesmente não entender absolutamente nada que tal escritor dizia em suas obras e, por conseguinte, não ter nada a dizer sobre o mesmo.

Eu sempre admirei os artistas da República Tcheca, em particular a talentosa atriz Silvia Saint, motivo pelo qual minha decepção foi tamanha ao me deparar com os livros de seu compatriota, a ponto de causar impacto capaz de interferir no meu comportamento. Era inconcebível para mim, até então, que aquele escritor, com cara de paraíba, tão admirado mundo a fora, escrevesse coisas nas quais eu simplesmente não encontrava sentido algum!
Minha primeira tentativa de leitura foi uma novela chamada Die verwandlung, que meus amigos teimavam em chamar de A metamorfose. Infelizmente descobri tarde demais que aqueles desonestos do caralho liam obras traduzidas para o português, enquanto eu tentava lê-las em alemão, mesmo sem saber uma palavra sequer do idioma de Goethe! Talvez fosse por isso – imaginei na época – que eu não entendia nada das obras de Franz.
É bom ressaltar que tal descoberta não minorou meu recém adquirido complexo de inferioridade intelectual, que somente agora superei.
Corri então para um Sebo – sebo, não esmegma – comprei um dicionário Alemão/Português, e pus-me a ler avidamente tal opúsculo.
Outra decepção me acometeu então, ao saber que a estória contada no livro é totalmente diferentemente da contada por todos.
Kafka inicia Die verwandlung dizendo o seguinte:

“Als Gregor Samsa eines Morgens aus unruhigen Träumen erwachte, fand er sich in seinem Bett zu einem ungeheueren Ungeziefer verwandelt.”

Modesto Carone traduziu o texto da seguinte maneira:

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.”

Daí então, na versão em português, passa-se a narrar a angustia do pobre Gregor que, transformado num inseto, acaba se fudendo no final, para alívio de sua família.
Importante ressaltar que tal metamorfose tem sido objeto de muita polêmica nos meios acadêmicos, pelo fato de alguns defenderem a tese de que Gregor metamorfoseou-se numa barata, enquanto outros acreditam que ele tornou-se um besouro qualquer.
Na minha versão, no entanto, que acredito estar em perfeita sintonia com o original alemão, não acontece uma coisa nem outra. O primeiro parágrafo, por mim traduzido, ficou da seguinte maneira:

“Ao despertar, certa manhã, de um cochilo pós-suruba, Gregor Samsa encontrou-se num quarto de motel, acompanhado por duas prostitutas, sentindo uma catinga insuportável de barata.”

Prometo a vocês que um dia publicarei a tradução completa da novela em questão. Mas por hora, posso adiantar, para que ninguém mais se surpreenda, que A metamorfose de kafka é a estória de um jovem boêmio, frequentador assíduo de prostíbulos, que trabalha como caixeiro viajante. Gregor, de uma hora pra outra, passa a ter ilusões olfativas – sente o cheiro de barata em tudo! – e chega finalmente a enlouquecer. O protagonista, não suportando tamanho aperreio, se mata engolindo três pedras de naftalina.Apesar da obra original não ter nada a ver com as traduções, numa coisa meus amigos tinham razão: Kafka realmente era um gênio!

 

18 thoughts on “Versão simplificada de “A Metamorfose” provoca polêmica no meio literário

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  1. A minha incultura literária é ainda maior. Não entendi nem a simplificação,kkkkk. Por favor, alguém me “oprima”. Quero ser “vítima” da alta cultura.

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  2. Quanto à tal de kafka só sei que é aquele churrasquinho árabe, no espeto,
    Quanto à Silvia Saint é sem duvida a melhor coisa da Republica Theca , junto com os famosos cristais da Bhoemia….

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  3. Completando o comentário acima, faltou dizer que na realidade kafka é um “Processo”( epa) para transformar carne moída em churrasquinho no espeto

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  4. Pois atualmente me sinto mais como o senhor Josef K. Nosso país está se tornando rapidamente no inferno bolivariano descrito no “Processo”.

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  5. Em primeiro lugar, eu pensei que Samsa fosse uma marca de MP3 player, já que o meu primeiro era desta marca. Agora, se é para ficar falando da barata do Kafka, eu acharia mais útil falar da perereca da Saint. Já imaginou você de manhã na cama, com a digníssima ao lado, acordando de um porre, sem saber o que aconteceu, e com aquele cheirinho de bacalhau na boca, e uns pentelhinhos entre os dentes?

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  6. Caro Big Jo.

    Falando sinceramente eu não sou apreciador de KAFKA, mas aprecio sim! uma boa KAFTA acompanhada de HOMUS e TAHIME (delícia da culinária árabe), que alias recomendo muito, pois: is very good.

    Fazendo uma análise lógica da questão kafkiana podemos concluir que esse tal de Kafka era um sujeitinho medíocre, pois que andava com “damas” barateiras, e dai é que promanam as ilusões olfativas de baratas.

    Acredito que a melhor metamorfose possível, para um incauto como ele, seria começar a frequentar ambientes melhores, como o Café Photô aqui de São Paulo. Porque aqui ele seria bem atendido por boas meninas boas, e não estaria a mercê de baratas, barateiras etc.

    Enfim, recomendo a você que pare de se deixar influenciar pelos amigos kafkianos, pois como já ficou demonstrado: Kafka é mera pinga morna.

    Permita que a elevada sabedoria do Nobre e Grande Sir William Ladiesfucker oriente você a retomar seus interessantíssimos estudos sobre a obra da excelente e muito boa atris Sílvia Saint, afinal ela é, sem dúvidas, uma especialista na arte da expressão, sabendo exibir suas qualidades como poucas antes na história dezte-planeta.

    “A arte se Sílvia Saint é saudável, sedutora, cativante e muito inspiradora, insinuando-se avassaladoramente na alma dos homens.”
    —- Powered by The Great Sir William Ladiesfucker.

    Forte abraço Big Jo.

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  7. Muitos dos calos de minha mão direita devem-se a Silvia Saint…..
    Mas afinal é KAFKA ou KAFTA…??…kk
    Para que venham esclarecimentos finais, mandarei algumas cartas a Milena e outras tantas cartas a meu pai

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  8. A (i)moral da estória é a seguinte:
    Quem passa a vida comendo prostitutas baratas, vai acabar cheirando a baratas prostitutas.
    Por hoje é só!

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  9. Confesso que nunca entendi onde se encaixava a barata no contexto da história,agora com a sua tradução,estou entendendo…ele ficava escondido debaixo da cama,para que sua irmã não sentisse o cheiro de quenga barata!

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