Uma tijolada na cara do Fernando. Réplica ao artigo do “Tijolaço”


ImagemFiquei deveras lisonjeado ao ver a arte do meu blog em destaque no tal do “Tijolaço”.

A arte, que ganhei de presente essa semana, ilustrava o artigo intitulado “Como um boato coxinha contra médicos cubanos mostra que tornozeleira de preso vai ser usada em médicos de Minas” (leia aqui, vai: http://tijolaco.com.br/blog/?p=14247)

O referido artigo se referia a uma publicação que fiz em meu blog, a respeito de uma medida fictícia do Ministério da Saúde determinando o uso de tornozeleiras eletrônias por médicos cubanos para evitar mais fugas.

Para quem ainda não leu, leia aqui, bitte: https://joselitomuller.wordpress.com/2014/02/17/para-evitar-novas-fugas-medicos-cubanos-terao-que-usar-tornozeleiras-de-monitoramento/

Pois bem, a notícia fictícia, que para meu deleite foi desmentida pelo Ministério da Saúde, (vejam só, que mimosos: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/maismedicos/33661-esclarecems-ministerio-da-saude-desmente-boatos-de-que-profissionais-cubanos-do-mais-medicos-devem-usar-tornozeleira) foi abordada pelo tal de Fernando Brito da seguinte maneira:

“A direita brasileira é tragicômica.

Espalhou-se na internet o boato de que os cinco mil médicos cubanos que atuam no Mais Médicos estariam recebendo tornozeleiras eletrônicas como as de presidiários para evitar que debandassem para Miami.

Um monte de blogs facebooks sem noção começaram a reproduzir a “nota” colocada por um gaiato direitista do Rio Grande do Norte, que se identifica como Joselito Müller, cuja imagem já é uma comédia, de que o Ministério da Saúde havia baixado uma portaria mandando colocar o tal artefato nos cubanos.”

(…)

“É a histeria que as corporações médicas criaram.

Nem é, portanto preciso dizer que tudo é falso, embora o Ministério da Saúde tenha sido obrigado emitir um insólito comunicado dizendo o óbvio.

Mais irônico ainda é que a tornozeleira da foto é tucana: é uma foto distribuída pelo Governo de Minas Gerais, para ilustrar o uso de tornozeleiras em presidiários do estado, estrelada pelo Agente de Segurança Penitenciária Ferreira, da Secretaria de Defesa Social mineira.”

Mais à frente, Fernandinho passa a tecer considerações sobre um caso em que três médicos teriam retirado “órgãos de uma criança ainda viva, o Conselho Regional de Medicina recusou-se a cumprir o pedido do Judiciário para cassar-lhes o registro profissional. E pondera que isso não é motivo de escândalo para nossos coxinhas e para as mentes deformadas dos radicais de direita. Afinal, os doutores não eram cubanos, eram mineiros.”

Não obstante o exíguo vocabulário do meu querido detrator Fernando Brito, que foi capaz de escrever um artigo com pouco mais de quinhentas palavras, segundo contagem do Word, no qual repetiu a palavra “direita” sete vezes, “médico”, catorze vezes e “coxinha”, três, me dispus a respondê-lo. Quem sabe não rola uma tréplica para o negócio ficar ainda mais divertido, hein?

Bem, como o próprio Ministério da Saúde afirmou, a notícia é falsa, bem como todas as outras postadas em meu blog.

Por qual motivo, então, tanta repercussão?

Um amigo do Facebook, respondendo uma indagação de minha pessoa, postou esta pertinente frase de Chesterton: “Não podemos sequer apreciar uma piada, se não tivermos uma filosofia clara que possa reconhecer o que está correto e o que está torto.”

E o que impede Fernandinho de distinguir “o que está correto do que está torto”, levando-o a acreditar que a postagem acima mencionada se trata não de uma piada, mas de uma “mentira da direita raivosa e coxinha”, senão o fato de estarem os médicos cubanos sendo submetidos à condição análoga a de escravos?

Duvida? Pois então vejamos.

O “MANUAL DE COMBATE AO TRABALHO EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS ÀS DE ESCRAVO – 2011”, do Ministério do Trabalho e Emprego define trabalho escravo da seguinte maneira:

“Malgrado as diversas denominações, qualquer trabalho que não reúna as mínimas condições necessárias para garantir os direitos do trabalhador, ou seja, cerceie sua liberdade, avilte a sua dignidade, sujeite-o a condições degradantes, inclusive em relação ao meio ambiente de trabalho, há que ser considerado trabalho em condição análoga à de escravo.”

O “Reglamento disciplinario”, que disciplina as atividades dos “trabalhadores civis cubanos que prestam serviço no exterior como colaboradores internacionais” é explícito nas disposições que cerceiam a liberdade dos “colaboradores”, no caso em tela, dos médicos oriundos da ilha.

Os itens “i”, “k” e “m” do capítulo III do referido documento, intitulado “Acerca de los deberes de los trabajadores” dizem o seguinte:

“i) Para salida después de lãs 6 de la tarde, solicitara permiso a su jefe inmediato superior, informándole a donde ira, si con compañeros cubanos o contraparte nativa, lugar que visitara, fines etc…

(…)

k) Las salidas fuera Del rango de su circunscripción donde reside y trabaja se Le solicitara al jefe inmediato superior y este de no ser el mismo lo solicitara al jefe de Provincia se esta dentro de la demarcación. Las salidas a la cabecera Del Departemento u outro Departamento Del país solamente será autorizado por la Jefatura Máxima Departamental.

m) Queda terminantemente prohibido extralimitarse Del país donde se trabaje, no existiendo pasos trans-fronterizos, aunque estemos muy cercano a outro país. (…)”

O item “h” do mesmo capítulo, evidenciando a ingerência do Estado cubano na vida privada dos cidadãos daquele país, define como direito do “colaborador” o seguinte:

“h) De existir alguna relácion amorosa con nativos debe informarse inmediatamente, y estar acorde con el pensamiento revolucionario de nuestra estância y em ninguna medida ser desmedida.”

Voltemos ao “MANUAL DE COMBATE AO TRABALHO EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS ÀS DE ESCRAVO”, na passagem em que orienta aos auditores a identificarem mais critérios para configuração de redução à condição análoga a de escravo:

“Deve ser verificada também (…) a eventual garantia pelo empregador da efetiva possibilidade de gozo do repouso semanal remunerado fora do local de trabalho, especialmente com relação à disponibilização de meios de transporte.

Da mesma forma, longas distâncias dentro da propriedade, entre locais de alojamento, frentes de trabalho e sede, por exemplo, podem inviabilizar os deslocamentos.

Não raro os trabalhadores necessitam de autorização para deixar a propriedade, só podendo fazê-lo em horários predeterminados ou sequer têm permissão para deixar o local de trabalho.

Mais uma vez evidenciando o amor do Estado cubano pela liberdade, o “Reglamento” define como infração disciplinar os seguintes fatos:

“manter amizade ou vínculo com cubanos que tenham abandonado o cumprimento da missão de colaboração”; convidar familiares ou terceiros para visitar o país, não restando claro neste ponto a qual país o documento se refere.

E tem mais, o regulamento em momento algum menciona direito ao contraditório e ampla defesa.

As sanções para o médicos traquinos são as seguintes:

“Revocacion de la Mision (Regreso a Cuba) con perdida de lós estímulos y derechos; Expulsíon de la Mision. Regreso inmediato a Cuba (Mision incumplida e invalida cumplir nueva mision em um plazo no menor que 10 años)”

Uma vez retornando a Cuba, o “colaborador” certamente será processado criminalmente, conforme o artigo do Código Penal cubano que me dei ao trabalho de transcrever abaixo:

“ARTÍCULO 135.1. El funcionario o empleado encargado de cumplir alguna misión en un país extranjero que la abandone, o, cumplida ésta, o requerido en cualquier momento para que regrese, se niegue, expresa o tácitamente, a hacerlo, incurre en sanción de privación de libertad de tres a ocho años.

2. En igual sanción incurre el funcionario o empleado que, en ocasión del cumplimiento de una misión en el extranjero y contra la orden expresa del Gobierno, se traslade a otro país.”

E aí, bonitão? Sacou “o que está correto e o que está torto” nessa história toda?

A “notícia” das tornozeleiras é verossímil porque a condição dos médicos cubanos no Brasil é, sim, análoga a de escravos, cazzo! E isso segundo os próprios critérios do MTE.

Caso não fosse, quem pensaria ser verídica a postagem?

A indiferença aos fatos acima não se dá apenas por ignorância, mas por canalhice, já que aqueles que sempre se disseram defensores dos trabalhadores são invertebrados ao ponto de defender a aberrante escravidão de seres humanos, desde que tal fato possa gerar algum proveito para o governo que defendem.

Isso sim é uma triste piada.

* PS: No que se refere à postura canalha do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, no caso mencionado por Fernando Brito em seu artigo, devo esclarecer, embora não seja necessário, que não morro de amores por esses conselhos. Já critiquei com veemência posturas  do CFM, sobretudo a respeito daquela Resolução sobre o aborto, lembram?

94 thoughts on “Uma tijolada na cara do Fernando. Réplica ao artigo do “Tijolaço”

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  1. Cara, os procuradores do Ministério Público do Trabalho não viram qualquer irregularidade nos contratos dos médicos cubanos, nem mesmo que tais profissionais estão trabalhando em condições análogas as de escravo. Será que não chegou a hora de você se corrigir? Afinal, estamos falando de um programa que beneficia milhões de Brasil afora. Portanto, por favor, leia abaixo os relatos de sucesso do Programa Mais Médicos nas mídias regionais que trazem informação do “Brasil profundo”. Depois avaliem, serenamente, se a pretexto de proibir o ingresso de “médicos cubanos” em nosso país ainda é possível negar atendimento médico básico a nossos cidadãos que se encontravam privados desse direito. http://www.folhadevilhena.com.br/populacao-aprova-atendimento-dos-medicos-cubanos/ ” ” http://www.faroldenoticias.com.br/site/saude-populacao-aprova-medicos-cubanos-e-compara-atendimento-com-servicos-em-st/ ” ” http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=190635 ” ” http://www.alvorada.rs.gov.br/003/00301009.asp?ttCD_CHAVE=271845 ” ” http://www.jornaldaparaiba.com.br/polemicapb/2014/02/27/depoimento-insuspeito-o-que-ouvi-de-diversas-pessoas-pobres-sobre-a-medica-cubana/ ” ” http://viana.es.gov.br/VerNoticia.aspx?no=4932&nv=%C3%9Atimas%20Not%C3%ADcias

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  2. Cara, os procuradores do Ministério Público do Trabalho não viram qualquer irregularidade nos contratos dos médicos cubanos, nem mesmo que tais profissionais estão trabalhando em condições análogas as de escravo. Será que não chegou a hora de você se corrigir? Afinal, estamos falando de um programa que beneficia milhões de Brasil afora. Portanto, por favor, leia abaixo os relatos de sucesso do Programa Mais Médicos nas mídias regionais que trazem informação do “Brasil profundo”. Depois avaliem, serenamente, se a pretexto de proibir o ingresso de “médicos cubanos” em nosso país ainda é possível negar atendimento médico básico a nossos cidadãos que se encontravam privados desse direito. ” ” http://www.faroldenoticias.com.br/site/saude-populacao-aprova-medicos-cubanos-e-compara-atendimento-com-servicos-em-st/ ” ” http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=190635 ” ” http://www.alvorada.rs.gov.br/003/00301009.asp?ttCD_CHAVE=271845 ” ” ” ”

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    1. O programa Mais Médicos beneficia a população brasileira, assim como os escravos africanos beneficiavam a população americana. É canalhice justificar a escravidão com base na opinião de quem se beneficia dela.

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  3. O responsável por este blog descobriu um filão do humor: Pega situações reais que beiram o absurdo e as exagera só um pouquinho. Aí quem lê fica na dúvida se é verdade ou mentira. Há 15 anos quem imaginaria que teríamos bolsa-traveco em São Paulo ? Ou milhares de trabalhadores cativos cubanos enviados pelo governo cubano, que recebe remuneração do governo brasileiro ? OuU cirurgias de “mudança de sexo ” oferecidas pelo mesmo SUS que não consegue fornecer cirurgias curativas simples para todos os que precisam ?

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  4. ESSES PETRALHAS SÃO TÃO BURROS (por isso são petralhas), QUE QUALQUER COISA QUE SE DIGA ATE COMO PIADA LEVAM LOGO PARA O LADO POLITICO. LOGICO QUE O “SEM NOÇÃO” QUE RESPONDEU À BRINCADEIRA DO JOSELITO CUMPRIU ORDENS DE ALGUMA TOUPEIRA SUPERIOR, O QUE COMPROVA A TOTAL INCAPACIDADE PARA O CARGO ONDE SE ENCONTRA SO PARA SATISFAZER A POLITICA DE ALGUM PETRALHA. É UMA DISCUSSÃO BOBA, MAS FOI UMA GRANDE OPORTUNIDADE DO JOSELITO DEMONSTRAR A EXISTENCIA DE ESCRAVIDÃO NA HISTORIA DOS MEDICOS CUBANOS E AGORA QUERO VER O TOUPEIRAL LATIR ALGO EM TRÉPLICA. DIZ UM DITADO “MACACO QUE MUITO MEXE QUER CHUMBO” E O JOSELITO “MANDOU CHUMBO” NOS MACAQUINHOS APANIGUADOS DO PT QUE DEVERIAM DEIXAR PASSAR EM BRANCO, MAS COMPROVOU QUE NADA DE UTIL FAZEM, POIS DESFRUTAM DE TEMPO LIVRE PARA LER E MOVIMENTAR UMA EQUIPE DE OUTROS OCIOSOS EM REUNIÃO PARA EMISSÃO DE UMA RÉPLICA MAL CONSTRUÍDA.

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