Breves considerações sobre a cretinice – resposta ao artigo de Sergio da Motta e Albuquerque


Saibam que sou mal intencionado e perigoso!“Quando as pessoas temem o governo, isso é tirania. Quando o governo teme as pessoas, isso é liberdade.” (Thomas Jefferson)

No dia 18 de maio, durante um show do Lobão, na virada cultural em São Paulo, um sujeito, que muito provavelmente não leu o mais recente livro do músico, mas ainda assim não gostou, decidiu refutar as opiniões contidas no mesmo de uma maneira inovadora: acendeu um laser na cara do artista no momento em que ele se apresentava.
Questionado sobre o que o levou a cometer tal ato, afirmou que aquilo era “uma violência simbólica” contra Lobão, que, segundo o cara do laser, havia cometido preteritamente “violência simbólica contra as vítimas da ditadura”.
O ato descrito acima denota o nível de indigência intelectual com o qual grande parte das pessoas encaram como se deve enfrentar pontos de vista divergentes no Brasil hodierno.
O estágio imediatamente anterior, ao meu ver, se dá por meio das rotulações que se faz ao deparar-se com opiniões com as quais discorda, reduzindo-as a um amontoado de frases de efeito que automaticamente emergem no cérebro adestrado do contendor, de maneira quase pavloviana.
Como bem sintetizou o autor desse artigo aqui (link https://joselitomuller.wordpress.com/2013/04/23/os-delirios-de-dolores-como-o-feminismo-pode-afetar-o-cerebro-humano/) “reduzir uma opinião contrária a sua ao termo “hipocrisia” é preguiça mental, já que implicitamente deixa transparecer que considera que fixar rótulos na testa alheia é suficiente para desqualificar suas opiniões”.
Substitua na frase o termo “hipocrisia” por fascismo, homofobia, racismo, machismo, reacionarismo e afins, e tá aí a síntese da “contra argumentação” de um militante de esquerda a um posicionamento do qual ele discordar.
Desnecessário é dizer que as rotulações não servem só para os argumentos, mas também e principalmente para quem os emite.
Comum é sair da boca de um militante de esquerda a expressão: “com esse reaça eu nem discuto”, ou “fulano é um fundamentalista”, chavões que, segundo a mente doentia daquele que foi adestrado, tem o condão de transformar todos, a quem são remetidos, em sinônimos de tudo o que não presta, ao mesmo tempo em que reforça a ideia de que o emissor pertence ao beautiful people, é um cara do bem e progressista.
As reações acima aludidas são despertadas diante de certas posturas, do mesmo modo que o cachorro do russo salivava quando escutava o sino.
Ser contra as cotas raciais, dizer que a Lei Maria da Penha fere o princípio constitucional da isonomia ou afirmar que a comissão da verdade deveria investigar as organizações guerrilheiras são algumas das senhas para despertar aquelas reações.
Entre todas as reações, as mais curiosas são aquela oriunda da oposição à opinião anti-aborto – taxada de fundamentalismo religioso, mesmo se você for ateu, como é meu caso – e aquela que ocorre quando alguém fala mal do PT, que automaticamente passa a ser filiado do PSDB ou do DEM.
Recentemente fui alvo de ambas, mas devo destacar que o mais divertido foi tomar conhecimento desse artigo aqui: http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed747_ingenuidade_perigosa_nas_redes_sociais onde o autor, um tal de Sergio da Motta e Albuquerque, entre outras coisas diz que eu finjo ser semi-analfabeto.
No referido trabalho, Serjão comenta os nefastos efeitos da minha postagem sobre a criação do #BolsaPuta e ironiza o título de meu blog ser “Jornalismo destemido”, uma vez que afirma o seguinte: “O blogueiro desconhecido, que se identifica como “Joselito Müller, o homem do jornalismo destemido” permaneceu altaneiro e desafiador: “Podem processar que eu não tenho medo”, dizia “Joselito”. Ao mesmo tempo, desculpou-se à senadora, prometeu revelar seu nome e reconheceu o erro.”
O nosso amigo, para bancar o espertão, tenta dar a impressão que eu fiquei com o rabinho entre as pernas e, ao mesmo tempo que bradava, consertava a besteira que tinha feito outrora, como um fanfarrão, como diria o Capitão Nascimento.
Talvez a ironia que utilizei, aproveitando meus cinco minutos de fama, para trazer ao meu exíguo público alguns “podres” reais da senadora Ana Rita e de seu companheiro Wellington Dias, tenha sido demasiadamente complexa para o Sergio, que preferiu ver a postagem aludida como um amedrontado pedido de desculpas – termo que vocês, por mais que vasculhem, não vão encontrar em nenhuma postagem sobre o episódio.
Mais à frente, Sergio, que afirma que eu finjo ser semi-analfabeto, diz o seguinte sobre esse texto aqui (link: https://joselitomuller.wordpress.com/2013/05/17/agora-falando-serio-a-noticia-sobre-o-bolsa-pta-e-falsa/):
“O blogueiro aproveitou a situação para atacar a atual administração, que segundo ele é a principal responsável pela disseminação de mentiras na web.”
Prefiro não acreditar que nosso amigo tenha usado de má fé no trecho transcrito, pois acredito que se tratou de falta de capacidade de interpretar um texto mixuruca como o retro linkado.
Se “ataquei a atual administração”, como ele diz, não foi por achar que a mesma é responsável pela disseminação de mentiras na web, e sim por considerar que os absurdos protagonizados pelo governo e pelos políticos em geral geram uma conjuntura na qual mentiras absurdas se tronam verossímeis, como foi o caso da “notícia” sobre a bolsa para garotas de programa. (para quem não leu: https://joselitomuller.wordpress.com/2013/05/10/senado-aprova-pagamento-de-bolsa-mensal-de-r-2-00000-para-garotas-de-programa/)
Vejamos mais um trecho do artigo do nosso amigo Sergio:

“O homem é perigoso e mal intencionado. É, na realidade, um elemento nocivo ao trabalho de todos os blogueiros políticos sérios que existem no Brasil. Seu blog é um espaço para piadas e brincadeiras de péssimo gosto e inclinações fascistoides. E registra imensa disseminação a partir dele da informação falsa no Facebook e no Twitter.”

Aqui, fora as adjetivações vazias, se faz necessário notar que, em verdade, inclinação fascistóide é querer ter ingerência sobre o que outra pessoa escreve em seu blog. Faltou nosso amigo explicar como alguém que posta “piadas e brincadeiras de péssimo gosto” pode ser tão nocivo “ao trabalho de todos os blogueiros políticos sérios que existem no Brasil”.
Não obstante a lisonja de ser considerado “nocivo” ao trabalho de TODOS os blogueiros políticos sérios do país, como ele mesmo disse, devo dizer que se sou digno de tal epíteto, é graças a incompetência e subserviência de tais “blogueiros sérios” que, em sua maioria, não tem autoridade moral pra uma nota de cinquenta reais estendida pelo governo sob pretexto de “incentivar a blogsfera progressista”.
Mais à frente Sergio dispara sem dó nem piedade:
“’Joselito” fez questão de afirmar no Twitter que “não é réu primário” e já cumpriu pena por “por homicídio e extorsão mediante sequestro com resultado de morte”, ameaçou. Ele intimida explicitamente quem lhe faz oposição, a menos que seja uma autoridade. Ele finge ser semianalfabeto, mas quem lê a fundo o que ele escreve vê que a coisa não é tão simples assim: ele conhece a lei, e parece usar um português vulgar como instrumento para esconder sua verdadeira identidade.”
Sinto decepcionar nosso amigo, mas a afirmação de que cumpri pena foi uma pilhéria em resposta a um patrulheiro ideológico que me perguntou, em tom de deboche, se sou réu primário.
Mais uma vez o Serjão tenta dar a impressão que sou um covardezinho que só falo grosso com “peixe pequeno”.
Como afirmar que ameaço “quem faz oposição” a minha pessoa, se o que ficou claro com o episódio do #BolsaPuta foi justamente o contrário? Veja a reação da senadora e de seus correligionários, que além da ameaça de processo, ocuparam a caixa de comentários de meu blog com os mais chulos xingamentos que eu, gargalhando da histeria dos afetadinhos, liberei quase todos!
Numa tentativa se sintetizar meu perfil, o autor do texto, entre outras coisas, diz o seguinte:
“Proclama-se anarquista, mas isso não é compatível com suas ideias; >> Tem uma agenda ultraconservadora e uma veia agressiva; >> Parece também bem sustentado por gente mais poderosa do que o alcance de suas mentiras;”
Se o amigo pudesse me dar o endereço do local onde devo me inscrever pra me tornar anarquista, eu agradeço, já que minhas ideias “não são compatíveis com isso”, segundo ele.
Essa assertiva, imagino, se dá pelo fato de Sergio, com sua mente binária e maniqueísta, acreditar que quem faz críticas ao PT é de direita, e sendo de direita, obviamente não pode ser anarquista, pois anarquismo, conforme ele aprendeu na oitava série, é coisa daqueles caras que não tomam banho, usam cabelo moicano e vestem camisa do Ramones.
Devo reconhecer que ele acertou ao dizer “veia agressiva” ou, como disse Maiacovski: “Em nossas veias correm sangue rubro, não água morna”. Mas Serginho errou feio ao especular que seu sustentado seja lá por quem for.
É a velha mania de achar que qualquer posicionamento ideológico, qualquer crítica no campo da política, ainda que por meio de sátiras, tem um propósito eleitoreiro e é custeada pelo “imperialismo” e pelas “forças conservadoras”.
Agora minha parte preferida:

“Seu perfil sugere conexões com a ultradireita e com os opositores antidemocratas de um governo democraticamente eleito e bem aceito pela população. Mas o homem pode muito bem ser um “franco-atirador” a operar sozinho. Pessoalmente, não acredito nisso, mas é uma possibilidade concreta.
Joselito desmentiu tudo (17/5), quando viu que a coisa estava a esquentar. Mas o fez em seus termos: entre o material publicável que encontrei ele chamou de “deficientes cognitivos” todos aqueles que acreditaram em sua postagem, e depois de desmentir a mesma sobre a senadora e seu suposto projeto de financiamento a prostituição, publicou uma série de links para publicações que fazem oposição sistemática ao governo, incluindo algumas que envolvem a senadora Ana Rita. O blogueiro quase sempre mira o PT em suas postagens.”

Só faltou o homem dizer que sou a reencarnação do Goebbels e que faço parte de uma conspiração secreta para dar um golpe de Estado. Há o que refutar nesse parágrafo? Sergio ignora que um governo democrático é passível de críticas.
Os deficientes cognitivos, devo dizer mais uma vez, são aqueles que deram pulinhos de alegria ao saber que a senadora Ana Rita me processaria, achando que com isso eu me calaria.
A título de esclarecimento, devo revelar que no dia seguinte à publicação da nota da senadora desmentindo o boato sobre a tal “bolsa”, pedi para meu advogado ligar para o gabinete dela e informar meus dados. O assessor que atendeu ao telefone, não esperando tamanha “ousadia”, informou que não era lá que meus dados tinham que ser informados, mas sim, na Polícia do Senado.
Ligando para a Polícia do Senado, fomos informados que não era lá que eu deveria me identificar, mas sim, na Procuradoria do Senado.
Meu advogado ligou para a Procuradoria e aí sim, finalmente aceitaram meus dados, que foram informados tanto por telefone, como por e-mail.
Enfrentei essa dificuldade para informar meu nome, telefone e endereço, ao mesmo tempo que o site do senado estampava com toda pompa que a PF estava investigando o autor do boato (link: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2013/05/16/policia-investiga-autoria-de-noticia-falsa-sobre-o-senado). É ou não pra rir?
Por derradeiro, apreciemos esta peróla:
“Joselito debochou do povo que acreditou nele. Chamou todos de “deficientes cognitivos”. Agora ficou sem apoio e marcado pelos que foram enganados e ofendidos, os que já desconfiaram desde o início, e aqueles que tomaram conhecimento do caso e condenaram sua postagem absurda e maligna.”
Aqui, nosso amigo joga pra platéia, deixa implícita uma lição de moral, tal qual comadre ensinando bons modos à meninada: “taí o que acontece com quem mente, fica sem apoio de ninguém”.
O discurso raivoso de Sergio da Motta e Albuquerque é tão somente uma reação previsível de gente que, ao se deparar com o que discorda, aciona automaticamente o interruptor do laser, como no exemplo citado no início deste texto, ou das frases de efeito.
Independentemente do conteúdo que eu publicasse na web, sua reação, para a qual ele tenta dar ares de análise, seria a mesma: tentar me jogar no time dos seus adversários, taxar-me de “fascistóide” por falar mal do governo, dizer que sou financiado por poderosos e atribuir a mim defeitos que acreditar ser intrínseco a quem compartilha de ideologia oposta a sua, tais como covardia e venalidade.
Mas ainda é menos mal que Sergio tenha tentado discutir. O debate só não será mais interessante, porque, enquanto eu finjo ser semianalfabeto, ele finge que tem um cérebro.

16 thoughts on “Breves considerações sobre a cretinice – resposta ao artigo de Sergio da Motta e Albuquerque

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  1. Esquenta não, Joselito. É com esse tipo de gente que temos que tentar levar o debate político adiante. O Cara escreveu uma tonelada de artigos no site, mas 90% deles sequer tem algum comentário, enquanto o mais polêmico teve somente cinco comentários. Daí você tira a relevância das opiniões do cidadão.
    .
    Trata-se de mais um abestalhado amestrado que escreve e acha que tá falando alguma coisa. Eu juro que piro do que ele, só mesmo o Eduardo Guimarães, aquele deputado do PT que vive delirando num tal de Blog da Cidadania.

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    1. Ele tá igual aquela professora da USP falando da classe média. Acho que teremos de pedir à Venezuela um pouco do papel higiênico e mandar para Brasília. Para quando esse PTistas abrirem a boca.

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    2. Esse Serjão é mais burro que jumento e mais invisível que fantasma! E ainda tem um tique maníaco,o de ser importante por descender de português! rsrsrs

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  2. A ditadura já chegou, só não vê quem não quer.
    Talvez seja o caso de analisar com o advogado e ver se dá pra devolver na mesma moeda: com processo.
    Quem sabe assim essa mania de patrulhamento ideológico não diminui…

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  3. o brasil virou a casa de mae joana dilma
    tem que ter muita força e inteligencia para conter a populaçao
    e facil esqueça a fifa manda ela pros quinto do inferno e comece a melhorar os hospitais
    o transporte publico a segurança dos brasileiros e outras coisas mais que estar errado

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  4. Vejo td como muito blá, blá, blá. Gente o BRASIL, através de seu POVO (cidadãos), que não aceitam mais se fazer de “bonzinhoste aceitar tanto midia e jornalista manipuladores, só pq detêm um minidicionário em seus cérebros Vazios. Como tbm Governates que Nào têm competência par exercer seus cargos para os quais foram eleitos..

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  5. O sr Sérgio não passa de mais uma hipertrofia cínica da patologia social travestido de redentor. Só não vê quem não quer, aqui na Bahia onde vivo o estado está mergulhado em falcatruas das empreiteiras CONSTRAN entre tantas outras envolvidas com : ( transposição do rio São Francisco, às traças, metrô de Salvador, 10 anos de abandono, ferrovia leste oeste abandonada ) entre tantas outras obras que só começam e ficam ao léu. Milhões jogados fora, tudo jogadas políticas sem nenhum critério, agora mesmo a mesma empreiteira citada GANHOU a licitação para construir uma Ponte interligando a cidade de ILHÉUS, que sem critério algum começa e termina em praias urbanas ferindo assim a tudo e a todos, desobedecendo a insonomia da cidade. É desta forma que se comporta a política atual, que com critérios difusos faz o que bem quer na hora que bem entende. É exatamente disso, deste faz de conta que cansamos, cansamos sim de ver nosso dinheiro jogado fora e dentro dos bolsos destes anti patriotas corruptos basta ler os sites jurídicos ou mesmo verificar no GOOGLE a palavra CONSTRAN para se ter a idéia de quem são estas empreiteiras verdadeiros propinodutos onde aparece até quanto recebeu a caixinha de cada político. Essa politicalha que aí esta não nos representa mesmo…ou será que a PRESIDENTA não sabe? E o sr Sérgio sabe? Afinal nós sabemos e muito bem…é nosso dever mostrar a cara do Brasil atual, porque elles NUNCA SABEM.

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  6. PS: Não só a Bahia mas o Brasil inteiro está mergulhado na pior crise da sua história, nunca em tão pouco tempo se logrou tanto como agora, mesmo a imprensa escancarando, denunciando, detalhando em minúncias, o faz de conta perdura. Acredito que agora o pote do povo quebrou e como tudo que quebra não tem como colar mais. Alimentos a preços exorbitantes, o povo começa a sentir a dor da fome, e ao assistir o nababo em que vivem nossos governantes, as ingerências, os descaminhos financeiros ( o staff presidencial, todos viajando em um confortável Air Bus A 319cj denominado Santos Domont) isso tudo nos instiga a lutar pelo minímo ( saúde, educação, transporte) que há algum tempo não temos. O desleixo nos afeta de sobremaneira. Acredito que o fim desta era (PT-PMDB- DEM-PV-PC DO B-PSTU-PL entre outros) nos leva a repensar de como será a política do próximo BRASIL. Nos prepararemos para isso eu tenho a CERTEZA, pois eu acredito em meu país.

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