Os delírios de Dolores – Como o feminismo pode afetar o cérebro humano


ImagemPOR EMANUEL GRILO

Embora não seja considerado doença mental pela Organização Mundial de Saúde, o feminismo tem causado danos nos cérebros de suas adeptas, sobretudo no que concerne ao modo como encaram a realidade fática, bem como os juízos de valor que fazem dessa realidade.

Deparei-me já há algum tempo com um blog (tá aqui o link http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/), que confirma a assertiva do parágrafo anterior, e passo a tecer superficiais considerações sobre o mesmo.

Para que o presente post não ficasse muito extenso, pincei alguns trechos interessantes de um texto lá postado, que vão abaixo em itálico, entre aspas e grifados, seguidos de meus comentários.

O texto é intitulado “Conselho de medicina se posiciona contra a hipocrisia”, e tem início tecendo loas ao posicionamento do CFM a favor da descriminalização do aborto no Brasil, classificando tal declaração como “digna de celebração pra qualquer pessoal que seja a favor da liberdade de escolha”.

Claro que entre essas pessoas a favor da liberdade de escolha não se incluem os bebês a serem abortados.

Para a camarada Dolores, o CFM está mesmo é preocupado com o direito de escolha das mulheres, por isso ignorou o juramento de Hipócrates, segundo o qual o médico não dará a nenhuma mulher uma substância abortiva”.

De modo algum a resolução denota interesses dos médicos em ganhar dinheiro com clínicas de aborto que, adivinhem, serão inacessíveis para as mulheres que não possam pagar pelo serviço.

Lá pras tantas, nossa amiga fala que o CFM não apoia o aborto, mas a escolha da mulher em abortar, e menciona a autora que a instituição levará a proposta para a comissão de reforma do Código Penal.

 Como bem recorda nossa amiga Dolores, a proposta acima referida prevê exclusão do crime de aborto realizado até a décima segunda semana de gestação, nos casos em que “médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade”.

Ressalte-se que o projeto, além de não especificar o que seria “condições psicológicas de arcar com a maternidade”, confere ao médico que não for psicólogo a prerrogativa de diagnosticar algo que não pertencer a sua área de formação.

Mas beleza, o “avançado” projeto que preconiza tal medida é o mesmo que prevê, em seu artigo 398, pena de dois a cinco anos para quem “Pescar ou de qualquer forma molestar cetáceos em águas territoriais brasileiras”. Além do mais, o mesmo projeto prevê aumento de pena de até a metade quando tal conduta é realizada “em período de reprodução, gestação, ou amamentação”.

Ou seja, a gestação de cetáceos mereceu proteção do Estado de modo que a interrupção da mesma é punida mais severamente que a hipótese de interrupção da gestação de um ser humano.

Foda-se o bom senso!

Dolores, no entanto, acha maravilhosa a proposta.

Vejamos Dolores por ela mesma:

 

“Este bloguinho que vos fala já criticou Conselhos de Medicina várias vezes, seja pela posição de conselhos contra o parto em casa, seja pela falta de punição para médicos que cometem assédio sexual. Mas esta decisão do Conselho Federal de Medicina sobre o aborto é maravilhosa, corajosa, e deve ser aplaudida.

Os argumentos contra a legalização do aborto são poucos e previsíveis, até porque todos já foram discutidos e rebatidos nos países em que o aborto é legalizado — nada menos que em 74% do mundo; somos nós que estamos atrasados em algumas décadas.”

Que atraso, hein? O Código Criminal do Império, datado de 16 de dezembro de 1830, (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim-16-12-1830.htm) ao tratar do tema não prevê punição alguma à mulher que aborta.

Lola esquece a lição da oitava série segundo a qual a história não acontece em linha reta, mas sim em espiral, como disse o velho Vladimir Ulianov, e consegue expressar uma visão de mundo ainda mais simplista.

 

“Um argumento constante contra a legalização é que ela forçaria médicos a fazer algo que vai contra seus princípios. Claro que essa argumentação quer fazer crer que toda a classe médica é contra a legalização, o que não é verdade em nenhum lugar.”

Ora, o argumento mais corriqueiramente utilizado contra o aborto não é o acima mencionado, mas sim o de que o feto é uma vida humana! A divergência quanto a este quesito já inviabiliza qualquer consenso, pois se trata de uma premissa determinante das concepções discrepantes sobre o tema.

 

“Em geral, médicos são pessoas racionais, (diferente de grande parte das feministas) que sabem que abortos acontecem clandestinamente (mais de um milhão por ano no Brasil). E esta não é uma invenção feminista do século XX. Gravidez não desejada sempre aconteceu, e mulheres sempre encontraram formas de interromper um processo que acontece no seu corpo. O problema é que esses procedimentos clandestinos muitas vezes matam. Vale ressaltar que matam não só o feto, mas também a mulher. Abortos clandestinos são a quarta maior causa de morte materna no Brasil (por exemplo, aborto supera câncer de mama em internações pelo SUS).

Mas já ouvi e li muita gente dizer “bem feito”. Essa gente quer que mulheres morram. Essa gente não tem a menor empatia por mulheres e nem por seus filhos. A empatia é toda por um feto, algo abstrato, sem nome, que eles chamam de criança. Assim que o bebê nasce, já não é mais preocupação deles. Agora se vira, dizem eles para a mãe. Quem mandou fazer filho?”

 

A quem Dolores se refere quando diz “essa gente”? Seriam os legisladores que tipificaram o crime de aborto?

Ora, esses mesmo legisladores, no artigo 121 do Código Penal, tipificaram a conduta “matar alguém”, e esse alguém é também abstrato, hipotético, sem nome, que eles chamam de… alguém.

E o que Dolores quer dizer quando afirma que “Assim que o bebê nasce, já não é mais preocupação deles. Agora se vira, dizem eles para a mãe. Quem mandou fazer filho?” Mais uma vez não explicita quem seriam “eles”, mas se se refere a uma categoria indeterminada de pessoas, é deveras complicado cobrar das mesmas preocupação com o fato de como a criança vai ser criada.

Lola acha que quem é contra o aborto deve se responsabilizar pelos filhos alheios que os pariu a contragosto.

Seria isso insanidade ou somente porralouquisse?

Acho que foi Rui Barbosa quem disse algo como “a palavra deixa transparecer as sinuosidades do espírito”. Nossa amiga deixa bem evidente seu respeito pela vida humana quando diz: A empatia é toda por um feto, algo abstrato, sem nome, que eles chamam de criança.”

Voltemos a ela:

 

“Sei bem que mascus não representam um bom exemplo pra coisa alguma, mas às vezes, ao ver uma caricatura, percebemos as contradições de quem tem um discurso mais sutil.”

 

Não, Lolita! É muito confortável tomar como referência de ponto de vista divergente ao seu o de um monte de punheteiros frustradinhos que passam os dias em fóruns falando mal de mulheres só por que não comem ninguém.

Quero ver a senhora responder isso aqui: http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2012/05/as-mentiras-da-feminista-lola.html

 

“Um mascu, como quase todo ser de extrema direita que se preza, é radicalmente contra o aborto — menos quando o filho é dele. Aí ele tem certeza que a “vadia” engravidou de propósito para tirá-lo de provedor, e pensa no que fazer para impedir essa gravidez.

Ou seja, como é típico, mascu é contra o aborto dos outros. É o velho desejo de controlar um corpo que não é seu. Mas vamos acreditar que mascus são contra o aborto de modo geral. Não tem nada no mundo que eles odeiem mais que mãe solteira. Ué, mães solteiras deveriam ser idolatradas por qualquer pró-vida. Deveria erguer monumentos pras mães solteiras. Afinal elas, contra todas as dificuldades, decidiram levar a gravidez adiante e ter o filho, mesmo que isso represente que ela cuidará dele sozinha, sem ajuda. Mas não. Nossa sociedade abomina mães solteiras.”

 

Aqui nossa querida feminista descreve a confusa conduta contraditória de uma caricatura – como ela mesmo adjetiva – rebate supostos argumentos e sai toda faceira a entoar cantos de vitória.

Perceba que ela tenta atribuir a todo aquele que é contra o aborto a mesma postura, tentando reduzir todos seus opositores à condição de caricaturas. Mede-os com sua régua possivelmente pelo fato dela própria somente ter nível pra discutir com outras caricaturas que nem ela.

E prossegue nocauteando os punheteiros dos fóruns masculinistas:

 

“Mascus as chamam de M$ol, sugerindo que elas estão desesperadas atrás de um provedor. Sinto muito, mas custo acreditar que alguém que chama filho de mãe solteira de EAA (Esporrada Alheia Ambulante) está preocupado com um feto. Quer dizer, se mascu consegue se referir a uma criança, uma vida de verdade, como EAA, qual a empatia que pode ter por um feto, um projeto de vida? Ou por acaso este projeto de vida é mais importante que uma vida concreta, como a da mulher?

Não se engane: quem está na liderança contra a legalização do aborto no Brasil são grupos religiosos (católicos, evangélicos, espíritas) e neonazistas, como os integralistas, amplamente presentes na marcha que foi realizada em Fortaleza em novembro contra o aborto. De que lado você está? Quem é realmente pró-vida?”

 

Mais uma vez ela tenta jogar no mesmo montão todo mundo que discorda de suas opiniões e apela, ao final, fazendo um questionamentozinho que pode ser traduzido nos seguintes termos: Você é do bem ou do mal? Se for do bem, tem que concordar comigo.

Faltou terminar o parágrafo dizendo: Seja humanista, seja pró-vida. Aborte seu filho.

 

“Em setembro, quando o Uruguai aprovou o aborto, um deputado da oposição(ele votou pela legalização, contra a decisão de seu partido) justificou assim seu voto: “Há dois tipos de sociedades que condenam o aborto: as que têm um poder religioso tão forte a ponto de submeter as liberdades ao dogma, como as muçulmanas, ou as democráticas porém hipócritas, como a nossa”.

 

Embora os religiosos em geral sejam contrários ao aborto, o fato de tal prática ser criminalizada não tem qualquer ligação direta com a existência ou não de laicismo do Estado.

Aqui um artigo que desmascara esse mito (http://coyoteonline.wordpress.com/2012/10/19/o-obscurantismo-dos-outros/) no qual fica claro que no Brasil, enquanto o Estado tinha como religião oficial a Católica Apostólica Romana, o aborto não era crime, passando a ser tratado como tal a partir da promulgação do primeiro código criminal republicano, que inaugurou o Estado laico nas terras brasileiras.

Do mesmo modo, reduzir uma opinião contrária a sua ao termo “hipocrisia” é preguiça mental, já que implicitamente deixa transparecer que fixar rótulos na testa alheia é suficiente para desqualificar suas opiniões.

 

“É hipocrisia sim, não tem outra palavra. A sociedade que condena o aborto é a mesma que finge não ver que uma em cada quatro gestações acaba em aborto espontâneo. Os grupos religiosos fecham os olhos para o fato de que Deus é um grande abortista. Abortos espontâneos, naturais, acontecem no primeiro trimestre de gestação, que é justamente o período que queremos para a realização do aborto induzido. Então, antes de querer condenar a mulher que quis o aborto, ou o médicx que o realizou, pense no seu deus. Pense no seu deus antes de chamar alguém de abortista (como se uma mulher ter direito sobre o corpo dela fosse um crime).”

 

Alguém pode pensar que estou de sacanagem ao tentar atribuir as palavras acima à nossa amiga.

“Porra, Grilo. Tá exagerando, colocando palavras na boca da mulher só pra desqualificá-la”, poderiam dizer. Mas garanto que ela é realmente a autora do trecho transcrito.

Aqui ela se supera, pois tenta igualar o aborto espontâneo ao provocado e olha triunfante pros religiosos, sorri e diz: “Tá vendo aí, a culpa é de deus!”

Eu, na condição de ateu, acho muito pouco provável que um religioso dotado do mínimo de sanidade mental vá enxergar na argumentação de nossa amiga qualquer contradição em sua fé, pois se assim fosse, deveria considerar que o aborto espontâneo está pro aborto provocado assim como a morte natural está para o homicídio.

E levando em consideração que 100 em cada 100 pessoas morrerão um dia, umas de morte matada e outras de morte morrida, passaria a militar a favor da descriminalização do homicídio.

O tipo delituoso que consta na proposta de reforma do Código Penal que prevê mandar pra cadeia quem matar cetáceos também deveria ser deletado, segundo a mesma ótica, já que cetáceos comumente são mortos por predadores naturais, tais como os tubarões.

 

“E aí a jornalista do SBT vem falar que a decisão do Conselho de Medicina pode ser uma tentativa de criar um nicho de mercado! É muita hipocrisia. Nicho de mercado existe agora, que o aborto é ilegal. Quando o aborto for legalizado — e vou me permitir usar o quando, não o se –, as clínicas clandestinas vão fechar. A maior parte das mulheres que quiser abortar o fará pelo SUS.”

 

Lola fala asneira mais uma vez no parágrafo acima, pois a legalização de uma atividade não inibe de modo algum a existência do exercício da mesma de modo clandestino.

As clínicas que fazem procedimentos estéticos, que muitas vezes causam mortes de pacientes, que o digam.

Por outro lado, ela dá a impressão que a legalização do aborto é a solução de todos os problemas enfrentados pelo SUS atualmente, pois, com tal medida, o SUS vai comportar toda e demanda, e você que por ventura engravidar sem querer e der na telha de querer abortar, basta dar um pulinho lá naquele hospital público que nem tem fila que eles vão quebrar esse galho pra você ligeirinho.

 

“Ou seja, a ONU disse que o executivo é responsável por milhares de mortes por ano (fetos não contam, porque as estatísticas têm essa mania de só considerar vida quem já nasceu).”

 

Ah, essa mania de considerar vida só quem já nasceu, né? Essas estatísticas desumanas que consideram os fetos como algo abstrato e sem nome.

Por fim, devo dizer que é sim preocupante o grande número de mulheres que morrem no Brasil em decorrência do aborto realizado precariamente em casa ou em clínicas clandestinas.

Tenho uma sugestão para reduzir tais números: Deixem de tomar a porra do citotec e deixem seus filhos nascerem.

 

Post scriptum: caso Dolores chegue a ler esse texto, espero que replique os argumentos, ao invés de dar chiliquinhos e chamar o autor de misógino, machista, fascista, heteronormativista, falocentrista, fundamentalista religioso (embora já tenha deixado claro que sou ateu) e outros adjetivos congêneres que por si só não refutam minhas opiniões.

 

 

 

11 thoughts on “Os delírios de Dolores – Como o feminismo pode afetar o cérebro humano

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  1. Acho que seria legal postar esse link no post do “blog” dela… E editar esse texto com um negrito no último parágrafo… No mais, ótimo texto – da sua parte – e quase que meu cérebro explode com tantas fezes digitadas por essa mulher…

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  2. haha mto bom, mas só uma correção: não chegam a morrer nem 100 mulheres por ano por conta d abortos clandestinos no Brasil. Os números absurdos são inventados por abortistas. Prova disso é que quando legalizado, o aborto sempre diminui muito. Mais da metade das mulheres desistiram de abortar? Não devia ser o contrário, as que tinham medo de perder a vida e por isso não realizariam o aborto não se sentiriam mais seguras? Ou eram apenas números inventados…? A ta!

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  3. Eu parei de ler qdo a pessoa que escreve ESTE artigo comparou o fato de dar a escolha de ter ou não o bebê para a mulher com o fato de matarem crustáceos em período de reprodução. Eu sequer sou completamente a favor do aborto, mas essa comparação foi muito ridícula… Fora que o aborto é apenas uma das causas defendidas pelo feminismo. Que tal vc parar de demonizar o termo e tentar se educar fora de seu círculo de “coisinhas de homem”? Na verdade, o machismo deveria sim ser considerada doença mental e tipificado como crime contra a humanidade. Mas acho que para isso, a maioria dos homens que fazem as leis teriam que considerar as mulheres como seres humanos e não simples objetos… ou como animais sem cérebro… como a pessoa que escreve este blog deve pensar…

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    1. Prezada Joana, primeiramente preste atenção ao que ler! Não foi mencionado crustáceos, mas sim, cetáceos, que são coisas bem diferentes. A comparação se deu pelo fato do ante-projeto do código penal punir com maior rigor quem mata um feto de um golfinho, ao mesmo tempo que trata matar um feto humano como crime de menor potencial ofensivo. A desproporção é muito ridícula e absurda. Não sei se você notou, mas a intenção do artigo foi replicar um outro, cuja signatária é uma feminista, que trata do tema aborto. Portanto, minha nobre, o autor do texto não teve intenção de tratar de todas as merdas que as feministas fala. Deixe de xingamentos vazios, pois se quer discutir com seriedade, trate de refutar qualquer dos argumentos contidos no texto! É por essas e outras que muita gente pensa que as feministas são sim seres sem cerébro, como você enfatizou muito bem.

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      1. Pô, Joselito, explique a ela, também, que cetáceos são mamíferos, porque senão ela vai achar que você está comparando humanos com peixes… 🙂

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    1. O art. 197 do Código punia matar recém nascido. Esse tipo se referia ao agente que matava filho, excetuando a própria mãe, que, caso cometesse o delito, se enquadrava no art. 198, que tinha pena bem mais branda.
      O art. 199 punia quem cometia aborto com consentimento da gestante, mas não punia a mulher. veja a redação: “Art. 199. Occasionar aborto por qualquer meio empregado interior, ou exteriormente com consentimento da mulher pejada.

      Penas – de prisão com trabalho por um a cinco annos.” A pena era dobrada se o crime era cometido sem o consentimento da gestante.
      Já o art. 200 punia quem fornecesse abortivos. Não há no código qualquer previsão de punição para o auto-aborto.

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